
Sobre a artista
A obra nasce onde a vida não pôde permanecer muda.
Formada entre linhagens femininas que uniam arte e disciplina — uma avó pianista e pintora, uma mãe arquiteta e artista que assinava “VerLuz”, como afirmação de uma luz verdadeira —, a artista não inicia seu percurso por escolha estética, mas por necessidade interior. A criação não surge como projeto, mas como resposta.
Sua trajetória atravessa três territórios que estruturam sua linguagem: a raiz, a travessia e o retorno.
Há uma herança silenciosa que a precede, marcada pela transmissão de gestos, sensibilidade e rigor. Há também um tempo de dispersão, onde a dor, a perda e a ausência permaneceram sem forma. E, por fim, há o reencontro: com a fé, com a terra de origem no Pantanal, com a vida concreta e ordenada.
Foi em Paris, durante um período de exílio interior, que a pintura emergiu como linguagem inevitável. Ali, entre o silêncio e a densidade da cidade, a artista encontrou não apenas técnica, mas consciência. O ateliê nasce nesse contexto — não como empreendimento, mas como marco de reconexão. “VerLuz” torna-se, então, mais do que homenagem: torna-se continuidade.
Sua obra não se orienta pela ruptura, mas pela reconciliação.
Explora temas como filiação, memória, pertença e a presença do invisível no cotidiano. A terra pantaneira não aparece como paisagem, mas como símbolo de enraizamento e ordem. A figura feminina surge despida de caricaturas contemporâneas, apresentada em sua dimensão fecunda, silenciosa e estruturante.
Há, em sua linguagem, uma tensão assumida entre deslocamento e origem, entre independência e entrega, entre ausência e permanência. Essa tensão não é resolvida por discurso, mas sustentada como forma.
A pintura torna-se, assim, um espaço onde o visível é apenas a superfície de uma realidade mais profunda — onde a luz não é efeito, mas sinal.
Mais do que representar, sua obra busca tornar presente aquilo que permanece, mesmo quando tudo parece ter passado.
